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Fim de taxa para importação de leite europeu preocupa produtores da região

segunda, 11 de fevereiro de 2019
Tarifa era uma forma de não prejudicar os produtores brasileiros com excesso de oferta de leite e preços menores.

Nesta semana, o Governo Federal publicou a decisão que encerra a cobrança tarifária do leite em pó oriundo da Europa e Nova Zelândia que chega ao Brasil. A medida antidumping pretendia proteger o mercado interno e evitar que produtores brasileiros fossem prejudicados com o aumento da oferta de leite europeu e neozelandês. 
Agora, agricultores se dizem preocupados com o fim da taxa de importação. “É algo que assusta e certamente vamos sentir o baque, pois o reflexo disso virá. O que mais preocupa é se essa abertura durar mais de seis meses, o que vai comprometer muito os preços e as condições dos produtores”, avalia o pecuarista Maciel Comunello, de Francisco Beltrão. As alíquotas eram de 14,8% para o leite importado da UE e 3,9% para o da Nova Zelândia.

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O presidente da Rural Leite Sudoeste, Marcos Rovani, explica que o fim da barreira comercial vinha sendo postergado com a renovação da medida que taxava o leite em pó e agora a categoria espera uma decisão melhor estudada pelo governo. “Essa é uma questão que vinha se arrastando, mas as entidades agropecuárias estão articulando novas medidas para evitar que o mercado do leite fique saturado. Esperamos algo melhor do governo para fortalecer a produção”, analisa. A tarifa foi implantada em 2001. 


Uma das principais preocupações da Rural Leite é o impacto que uma eventual queda nos preços cause à cadeia produtiva. Segundo Rovani, nos últimos anos, muitos produtores abandonaram a atividade devido à instabilidade nos preços e agora as baixas devem ser mais significativas porque a pecuária leiteira está mais concentrada. 


A região Sudoeste é a maior bacia leiteira do Paraná, com uma produção anual superior a 1,2 bilhão de litros, e milhares de produtores e trabalhadores são ligados à atividade. E o município de Francisco Beltrão é o maior produtor de leite, com mais de 80 milhões de litros/ano.

Fonte: Jornal de Beltrão